Expansão do Conselho de Segurança
- jucomarins
- 16 de out. de 2020
- 2 min de leitura
“A arte da diplomacia é a arte de ceder” - delegação chinesa
O órgão da ONU especializado nas negociações intergovernamentais iniciou no dia de hoje, 15/10/2020, o debate sobre a reforma da estrutura do Conselho de Segurança (CS), intacto desde sua criação após a Segunda Guerra Mundial. Todos os 193 países integrantes do órgão estão de acordo com a necessidade de expansão do CS, levando em consideração as mudanças geoeconômicas e políticas, diferindo-se apenas nas escolhas dos novos assentos.
A Rússia destacou a importância da adesão de assentos permanentes na busca por um maior equilíbrio militar, trazendo em pauta a guerra do Iraque: iniciada pelos Estados Unidos da América e o Reino Unido após o veto dos três membros restantes do P5. Ambos afirmaram a importância da iniciativa para a manutenção da paz, e o primeiro ainda questionou a relevância da guerra passada para o debate atual.
A discussão se voltou, principalmente, para a possível entrada do Brasil como assento permanente, à qual a maioria das delegações se posicionou a favor. Entretanto, a Argentina e o México se contrapuseram à tal, alegando a falta de representatividade que o país traria ao continente. A primeira ainda reiterou a crise atual do Brasil e como sua instabilidade deve ser considerada perante sua aceitação. Os Estados Unidos não se mostraram favorável a conceder poder de veto à nação, em vista de o não apoio dos demais países membros do continente. O Brasil, com coro indiano, rebateu a importância que o único voto de seu continente viria a ter no Conselho e afirmou não ser possível haver representatividade com a ausência dele. A China ainda relembrou ao México a posição atual dos EUA como representante das Américas e o momento de tensão atual entre as duas potências, questionando sua preferência.
Quanto à inserção de um país africano como membro permanente, a disputa mudou de foco: tanto a Nigéria quanto a África do Sul acreditam ser necessária a adesão de, no mínimo, dois países com assentos permanentes, devido à grande diversidade territorial. Em controvérsia, a China não se dispôs a aceitar a entrada dos dois e demonstrou preferência à permanência do segundo. Ao que a Índia concordou, levantando dados como a superioridade do PIB e o tamanho populacional sul-africano.
Próximo ao fim, a Rússia reforçou seu apoio à integração permanente indiana, que começou seu discurso indagando o quão preso o mundo ainda parece estar a 1945. A delegação afirmou a necessidade de uma maior representatividade asiática e expôs dados favoráveis a sua entrada, como o sétimo maior PIB e a terceira em paridade de poder de compra.
Rania Buchaúl





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