Previsões para o futuro
- jucomarins
- 17 de out. de 2020
- 2 min de leitura
Após discussão entre as delegações, resolução do conflito em Ruanda parece cada vez mais próxima.
Hoje, 23 de maio de 1994, as discussões retornaram mais intensamente no Conselho de Segurança. As delegações começaram o debate retomando o documento provisório de número dois, produzido no final do dia anterior. Tal documento tratava principalmente do cessar-fogo e do retorno dos Acordos de Aruxa, que haviam sido violados.
O foco da primeira sessão do dia foi a necessidade de embargos na Ruanda. Já existe um embargo em curso e a representante do país concordou em prolongar tal medida. O grande problema é a questão do tempo. Na opinião da delegação ruandesa, o ideal é que o embargo siga por apenas um ano, e que o mesmo fosse revisto anualmente pelo Conselho, que o aprovaria ou não. Por outro lado, alguns países como a Alemanha argumentam que um ano seria muito pouco tempo, sugerindo assim um embargo de seis anos.
Além disso, o que também causou profunda discordância entre as delegações foi se o embargo armamentista deveria ser aplicado em algum país além de Ruanda. Muito foi discutido a respeito da posição de Uganda em meio a este conflito. A delegada ugandense já havia enviado uma carta às Nações Unidas, garantindo que não estava fornecendo armas para a FPR. Entretanto, o centro de inteligência do grupo está localizado no território do país. Assim, muitos concluíram que o embargo deve ser aplicado também a Uganda.
Outro tópico muito debatido foi a intervenção das tropas da UNAMIR, cuja função é garantir a paz entre os civis ruandenses. Foi sugerido pelos delegados que essas forças da ONU fossem também utilizadas para fiscalizar o embargo, caso este fosse aprovado. Inclusive, foi apresentado um documento provisório de número quatro, que tinha como objetivo estabelecer quais nações estavam enviando soldados para a UNAMIR, assim como para a UNOMUR, e assim determinar o que poderia ser feito.
Ademais, as delegações da Bélgica, da Alemanha e dos Estados Unidos defenderam a posição de que a intervenção da UNAMIR é desnecessária. Tal opinião baseia-se no julgamento de que muitas vidas são sacrificadas com o envio de tropas, e os mesmos não estão dispostos a fazer isso. Contraditoriamente, delegações como Omã, Paquistão, Nigéria, Brasil e República Tcheca reforçaram a importância que essas tropas têm na vida dos cidadãos de Ruanda, mostrando-se prontas para ajudar. Assim, foi redigido o quinto documento provisório, que recomenda a ação das tropas da UNAMIR, pois por muitos essa ação é entendida como uma força moderadora no conflito.
Por fim, o último tema abordado no dia foi questão humanitária e dos refugiados, que saem de Ruanda para se protegerem do conflito. Muitas delegações se mostraram favoráveis a ajudar e estavam dispostas a contribuir de diversas maneiras, como por meio de doações monetárias, de alimentos ou de qualquer tipo de coisa que possa ajudar. A expectativa é que tal tópico seja abordado mais a fundo na sessão de amanhã, quando será redigido um possível futuro projeto de resolução.
Amanda Fayal




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